Login



Usuário(s) Online

Nós temos 2 visitantes online

Home
Ex-jogador Raí trocou o carro pela bicicleta PDF Imprimir E-mail
Escrito por LEONARDO GUIDO   
Ter, 09 de Março de 2010 21:32
Saúde e pensamento coletivo também fora das quatro linhas
Raí Souza Vieira de Oliveira Ex-jogador de futebol Fundador e coordenador da fundação Gol de Letra

Após reunir experiências fora do Brasil, o tetracampeão Raí decidiu abrir mão de ter um carro desde que voltou a morar em São Paulo. Em entrevista ao jornal O TEMPO, o craque conta 
por que se tornou adepto da carona solidária e revela de que forma ele tenta passar a ideia adiante.

De onde surgiu a ideia de não ter carro? Foi uma decisão influenciada por uma experiência fora do Brasil. Eu morei em Londres entre 2006 e 2007 e, quando voltei, já estava decidido a vender o carro e passar pelo menos um ano sem um automóvel para ver como seria essa experiência aqui em São Paulo. E eu gostei bastante, tanto que já estou sem carro há dois anos. Melhorou muito a minha qualidade de vida. Eu já estava com pouca paciência no trânsito.

Você não sente falta? Como tem feito para se locomover? A gente acaba se habituando com a comodidade de ter o carro na porta, mas é apenas uma questão de hábito e cultura, porque, se você se organizar com amigos que fazem um trajeto parecido, isso acaba facilitando para todo mundo. E se acontecer em grande escala, muito melhor. Com certeza, contribui para melhorar o trânsito e diminuir o tempo gasto. É claro que dá uma segurança o fato de poder pegar um táxi na hora que aperta, mas eu normalmente me divido entre o transporte público e a bicicleta quando eu vou para o escritório, que é perto de onde moro, e a carona solidária, quando vou para a fundação, que é um pouco mais longe.

Em termos de qualidade de vida, quais foram os impactos na sua rotina? Sem dúvida, ganha-se muito. No meu caso, me sinto menos estressado. Além disso, quando você está de carona você pode telefonar, ler, entre outros. Você acaba ganhando por poder adiantar algumas tarefas que, caso estivesse dirigindo, não poderia fazer. Acho que trânsito cansa e estressa a gente. No final das contas, não compensa. Mesmo sendo uma atitude individual, tem um ganho grande.

Você tem visto pessoas mudando de rotina baseadas no seu testemunho? Sim. à medida que elas veem, acabam contagiando outras pessoas, que talvez não cheguem a vender o carro (risos), mas, vendo que eu estou indo bem, também acabam, em algumas circunstâncias, usando menos o automóvel e experimentando outras alternativas.

Dentre as experiências com transporte que você viveu na Europa, quais você acha que poderiam ser adotadas no Brasil? Primeiramente, é preciso melhorar o transporte público. Para incentivar, você tem que oferecer qualidade. É preciso dar preferência para o transporte público, que é o que a maioria usa. Nas cidades grandes, também é necessário um grande plano de ampliação dos metrôs, que é o que acontece nas cidades grandes da Europa. E é fundamental investir em ciclovias, que é algo que incentiva bastante as pessoas. Quando você vê uma ciclovia bem cuidada, bonita e com boa qualidade, com certeza isso acaba contagiando as pessoas e fazendo com que elas, quando possível, usem a bicicleta. As alternativas, quando oferecem qualidade, colaboram até mesmo para uma mudança cultural na sociedade.

Você avalia então que a questão cultural é o grande desafio a ser vencido aqui? Sim. É uma questão cultural e principalmente do hábito de não tentar pensar em alternativas. É uma acomodação. Sem dúvida nenhuma, a tendência mundial mostra - e no Brasil não será diferente - que as pessoas vão sempre estar cobrando mais alternativas para não precisarem sempre de um carro.

Você é a favor de rodízios e pedágios urbanos ou acha que a prática deve acontecer apenas com atitudes espontâneas? Eu acho que esses sistemas podem funcionar. Tem que haver algumas iniciativas como essas. Poderia ser ainda mais incentivador se a receita recolhida fosse direcionada para melhorar o transporte público e a qualidade das vias.

A Fundação Gol de Letra tem também a preocupação de formar também uma geração mais consciente. Que lição é possível tirar do esporte, que é uma prática coletiva, para a vida em sociedade? Temos essa preocupação, sim, e isso faz parte do nosso conteúdo. Temos muitas atividades de conscientização nesse aspecto. Faz parte da filosofia da fundação a ideia de que as pessoas devem se juntar para pensar em alternativas buscando o bem comum, para que essas pessoas aprendam a pensar cada vez mais na coletividade e na qualidade da região onde moram, ao invés de pensar de forma individual. Acho que as novas gerações tendem a buscar alternativas. A escola é um ambiente propício para que essa cultura seja aprimorada.

Qual a sua avaliação sobre a campanha "Carona Solidária: vamos nessa!", do jornal O TEMPO?Acho que a iniciativa é vital. É muito importante e eu parabenizo a atitude. A comunicação tem um poder muito grande. Hoje em dia, nenhuma evolução pode acontecer sem estar atrelada a veículos de comunicação de grande abrangência. Quando é uma iniciativa vinda do próprio veículo, então, é ainda melhor.

Fonte: O Tempo - Jornalismo de Qualidade 
Publicado em: 08/03/2010
 

Próximos Eventos

Não tem eventos

Fotos dos Passeios

Carregando...

Acesse

Banner
Banner


Junte-se a galera do Ciclismo, venha pedalar conosco!